PlayStation acaba com a produção de discos em 2028: o fim de uma era?

É um símbolo tanto quanto uma decisão industrial. No 1 de julho de 2026, a PlayStation anunciou que iria acabar com a produção de discos físicos para os seus novos jogos a partir de janeiro de 2028. Uma página vira-se, mas é preciso ler os termos exatos antes de gritar à morte do jogo físico.
O que a Sony anunciou realmente
- A partir de janeiro de 2028, os novos jogos PlayStation deixarão de ser prensados em disco: serão vendidos em formato digital (PlayStation Store e códigos em loja).
- Nenhum impacto nos jogos já lançados, nem naqueles que serão lançados antes de janeiro de 2028: os discos existentes continuam a funcionar, e os títulos mais antigos ainda podem ser produzidos em disco.
- Justificação da Sony: uma «direção natural», já que o digital representa já 85% das vendas de jogos completos em PS4 e PS5, contra 15% para o físico.
Por outras palavras: a Sony não «elimina» a sua coleção. A empresa deixa de fabricar novos discos, a prazo. A nuance é importante, e é exatamente o tipo de atalho que é preciso evitar.
O duplo sinal
Este anúncio não veio sozinho. A Sony também confirmou o encerramento das lojas online da PS3 e da PS Vita na maioria dos países em julho de 2027. Dois sinais convergentes, com um ano de intervalo, que desenham uma trajetória clara: o tudo-digital, e a extinção progressiva do acesso aos catálogos antigos.
Por que o verdadeiro debate não é «físico contra digital»
O fim do disco desencadeia, com razão, uma onda de emoção. Mas reduzir o assunto ao suporte seria um erro. O disco nunca foi uma garantia absoluta (ver «Le jeu physique éternel : la grande illusion»): desde a era das consolas ligadas em rede, um jogo pode depender de servidores, de contas, de atualizações.
A verdadeira questão está noutro lugar. Resume-se numa palavra: a escolha, e, por trás dela, os seus direitos:
- o direito de saber o que compra (uma licença, não um objeto);
- o direito de revender, emprestar, transmitir aquilo que pagou;
- o direito à preservação: que um jogo não desapareça no dia em que um servidor se desliga;
- o direito a ser reembolsado e a recusar condições desequilibradas.
A passagem ao tudo-digital não é um problema em si. Torna-se um quando é acompanhada por um recuo silencioso desses direitos, sem que nenhuma lei o tenha decidido. O fim do disco não é a doença: é o sintoma mais visível.
O que fazer?
Nem nostalgia estéril, nem fatalismo. A resposta certa é exigir que o digital venha finalmente acompanhado de verdadeiras garantias: transparência antes da compra, revenda do desmaterializado, obrigações de «fim de vida» para os jogos online, preservação patrimonial, exatamente as «6 garantias» propostas pela GamerGen. É precisamente o rumo que traça a nossa síntese dos temas, e o que poderá defender o futuro Digital Fairness Act europeu.
O disco vai-se embora. Não é razão para deixar partir com ele os nossos direitos de jogadores.
Para ler também: «6 garanties pour dématérialiser nos droits» (GamerGen) · Physique, dématérialisé, Game Pass : que gardez-vous vraiment ? · Quand Sony efface des contenus « achetés à vie »
Referências oficiais
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