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O jogo físico eterno: a grande ilusão

17 avril 2024· Atualizado em 6 juillet 2026
O jogo físico eterno: a grande ilusão

No imaginário dos jogadores, a cópia física é uma garantia de acesso eterno: o disco está em sua casa, ninguém pode tirar-lho. Esta crença, reconfortante, é em grande parte uma ilusão desde a era das consolas ligadas à internet.

O disco não contém apenas o jogo

Para além dos dados, um jogo moderno assenta numa validação de licença: um identificador que a consola verifica. O que acontece se a política de licença mudar, ou se uma atualização do sistema decidir que determinadas chaves deixaram de ser válidas? A consola pode, tecnicamente, recusar-se a iniciar o jogo, mesmo que os dados continuem no disco, intactos.

«O físico morreu desde 2005»

Não se trata de uma figura de estilo. Desde que as consolas estão permanentemente ligadas, a PS3, a PSP, a Xbox 360, já a partir de meados dos anos 2000, um fabricante dispõe dos meios técnicos para banir um jogo à distância, através do firmware e dos seus servidores, incluindo um jogo que o utilizador possui em caixa. No suporte figura um código; o sistema poderia decidir nunca mais o executar.

Isto nunca aconteceu em grande escala, mas é possível há cerca de vinte anos. Por outras palavras: a sensação de segurança que o disco proporciona já não corresponde inteiramente à realidade técnica. A verdadeira garantia nunca foi o plástico; é o direito.

Os jogos «semifísicos»

O fenómeno agrava-se com os jogos em que o disco contém apenas uma fração do conteúdo: atualizações massivas logo no primeiro dia, conteúdos indispensáveis para descarregar, patches sem os quais o jogo não funciona. O suporte torna-se um simples bilhete de entrada, e no dia em que os servidores fecharem, muitas vezes já não vale grande coisa.

A questão não é, portanto, «físico ou dematerializado?», mas sim «que direitos, e que garantias de duração, seja qual for o suporte?»

Para ler: possui realmente aquilo que compra?

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